sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Nós vai!

Nós vai se amar,
Independente do meu modo de falar,
Sei que um pouco do que sei de português
Usarei de cada vez para poder te impressionar
... Nós vai andar juntos de busão
Nem que pra te ver, pague mais que duas condução
É que no meu coração,
Mais consistente que farofa
Grita mais que uma motoca
Teu sorriso me entorta
Nunca sentir tanta emoção.
E o pouco do meu grão,
Tu põe água no feijão,
O que pouco era antes, hoje alimenta multidão.
Mal sandaia tenho no pé,
Minha bermuda esburacada,
Tenho tanto minha amada,
Que milionário até me sinto!
Nós vai viver de valor mais que dinhero,
De amor e de conselho,
Do tamanho do teu riso.

- Jordan Vilas Boas


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Poema: Manifesto!

Da mais bela colheita
De bela só os verdes dos cafezais,
O café foi servido senhora,
Meu sangue servido também, deseja algo mais?
Volta pra senzala, preta lavar meus panos brancos,
Em prantos grita a mãe, NEGRA!
Seu filho recém nascido acaba de juntar-se ao bando!
Criança feia, seca!
Vê se afina essa narina,
Dimimui esses lábios,
Prancha esse cabelo,
Sua mula, mulato!
Ta vendo esse espelho?
Se olha, se discrimina,
Se desvaloriza, se humilha, se abomina, se odeie...
Queira ser eu,
Queira ser como eu,
Queira ser branca!
Tua fé não é santa
Teu santo endemoniado,
Por onde tu andas,
Capitães do mato,
Parado!
Mãos pro alto,
Respeita o preto que se acha claro,
Pardos?
Alvos?
E no fim todos eles alvejados.
É um tipo de colorismo imposto,
Distribui ai 1 ou 2 a mais privilégios
Pois a guerra come solta  aqui dentro,
E até quando me aceito,
Marketing encima do empoderamento,
Ta vendo esse espelho?
Queira ser eu, queira ser como eu! Queira ser branca,
O mercado negro rola solto,
E nas prateleiras só bonecas brancas
A mãe morreu na senzala,
A neta nasceu na favela,
Desde pequena sonhava,
- Hey, não sonha não,
Nunca vai ser atriz de novela,
Pega essa guia, pega seu irmão,
Aprende a contar desde cedo e vai vender agua no busão,
A criança nem brincava, como todas da periferia,
De 10 anos já tinha 19,
Trabalhava desdos 14
E desdos 12 sonhar já não podia,
Acorda, hoje é o dia,
Põe a tristeza em anexo,
A revolta do preto retona,
Desde 1500 pretos fazendo protesto.
.
- Jordan Vilas Boas

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Baiana!


Seja o anjo de alguém!

Eu oro pra alguém,
Não importa quem seja,
Eu digo amém,
Não importa a igreja,
Abençoa meu axé,
Do umbanda ao candomblé,
Dá burguesa a "ralé"
Eu oro pra alguém
Não me importa a fé,
Por favor me escute,
No além ou na minha frente,
No céu ou em casa,
Em forma espiritual ou em corpo de gente,
Tenho fé na humanidade,
Nos anjos do dia a dia,
Que ajudam como pode,
Nos ouve e dá bom dia,
Eu oro a alguém,
Não importa pra quem,
Há anjos que erram,
Seja um anjo também,
Que enxergam os indigentes,
Faz reviver na sua frente,
Fazem mortes se atrasarem,
E na boca se abrirem os dentes,
Faz os olhos brilharem,
Retiram o peso das mentes,
Acorda quem tá dormindo,
E faz sonhar novamente,
Eu oro a alguém,
Não importa a quem,
Há anjos que precisam de anjos,
Seja um anjo também.

- Jordan Vilas Boas

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Depressão

Você tenta ser útil,
Precisa ser útil,
Você precisa que alguém precise de você,
Que converse e te diga que se importa,
Você espera de mais das pessoas,
Procura e não acha,
Não ouve palavras,
Se tranca no quarto,
Ninguém mais te ver,
Você já morreu,
Só falta enterrar,
Um morto que anda,
Que fala,
Que come,
Você se alimenta,
Mas morre de fome,
Seu pé está bambo,
Vê onde tu pisa,
Vê pra onde tu vai,
Cuidado na rua,
Cuidado com o carro,
Você nem existe,
Nem se enxerga no espelho,
Não ouve a própria voz,
Não dorme nem sonha,
Frustraram teu sonho,
Frustraram tua vida,
Que vida cê tem?
Você precisa de alguém,
E é esse seu erro.

- Jordan Vilas Boas

Poema: Depressão.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Nada contra a coberta!

Nada contra a coberta,
É que prefiro o calor humano,
E que além da chuva lá fora,
O barulho dela roncando!
Me estapeando durante a noite,
Tua cabeça sobre meu peito,
Tua juba sobre meu rosto,
Sentindo o gosto até do cabelo!
Nada contra a coberta,
É que ela rouba durante a madrugada,
Faz casulo com aquele tecido,
E a parede do canto gelada.
Minha camisa é o seu pijama,
Minha cama, as vezes sua casa,
Minha cozinha já pede socorro,
Minha mãe, virou mãe emprestada!
Nada contra a coberta,
É que prefiro o calor da minha preta,
Por mais que ela roube o espaço,
E aparente que eu durma em uma gaveta!

- Jordan Vilas Boas

(Poema; Nada contra a coberta)



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Baiana II

Eita preta bonita da zorra,
Vixe!
Desbocada que só,
E haja boca!
E haja cheiro,
Um chamego arretado,
Só não pisa no calo,
Desaforo não leva.
E é cor de dendê,
É canto de Ilê Ayê...
Moço até tenda,
Coitadinho de ocê;
- Ô lá em casa...
É o quê que tu disse nego?
Repete ai preto que quero ver!
Ta pensando o quê?
Que preta é brincadeira?
Abaixa essa cabeça e respeita...
Que eu não sou tuas pariceiras.

- Jordan Vilas Boas